Celebrar a nossa seleção é importante para mostrar para as mulheres que, mesmo com a grande desigualdade de gênero que enfrentamos, somos capazes de realizar os nossos sonhos

Por Andréa Milan

Ontem pela manhã eu vi uma reportagem a respeito da Copa do Mundo Feminina na televisão. Eu não tinha a menor ideia da existência de uma lei de 1941 que proibia as mulheres de jogarem futebol. Senti muito orgulho das jogadoras que se prepararam para a primeira Copa do Mundo em 1991, comendo quentinhas, dormindo embaixo de árvores. Elas questionaram o padrão, quebraram barreiras, lutaram pelo que queriam. Com determinação, elas superaram o preconceito e a falta de incentivo. Fico feliz, pois tantas mulheres, mesmo sendo ofendidas e proibidas, foram em frente e conquistaram seu espaço.

No Brasil temos a sorte de ter a Marta, a única jogadora de futebol a ser seis vezes eleita a melhor do mundo. Nenhum jogador homem conseguiu o mesmo número de premiações. A mesma Marta Vieira da Silva que foi nomeada pela ONU em 2018 como Embaixadora da Boa Vontade para mulheres e meninas no esporte. Função que tem a missão de trabalhar pela igualdade de gênero e empoderamento, inspirar e desafiar estereótipos, superar barreiras e seguir sonhos e ambições, inclusive no esporte.

Esta reflexão me fez lembrar de um artigo que li há uns dois anos, no New York Times, que se chamava “As mulheres estão jogando hoje e liderando o amanhã” (Women Are Playing Today, and Leading Tomorrow), que contava a história de uma jovem afegã, chamada Hajar Abulfazl, que quando adolescente pulava a janela da sua casa para jogar futebol. Ela fugia de um tio que bloqueava a porta e não a deixava sair porque dizia que uma mulher que joga não encontra marido. Envergonha a família. Hoje ela é médica e jogou na seleção feminina de futebol do Afeganistão por quase uma década. Hajar falava em usar o poder do esporte para mostrar o poder das mulheres ao mundo. Fazer o impossível possível.

A seleção feminina de futebol estreia na Copa do Mundo Feminina em 9 de junho, domingo, contra a Jamaica, em Grenoble, às 10h30 (horário de Brasília). Depois vai para Montpellier encarar a Austrália, dia 13, às 13h00. E segue para Valenciennes, onde joga contra a Itália em 18 de junho.

Eu nunca tive tanta informação (e tanto orgulho) em relação a nossa seleção. Estou ansiosa pelos jogos. Como mulheres ganhamos muito espaço, mas a desigualdade de gênero ainda é gigante. O site Hypeness menciona que a Fifa destinou apenas 1% da sua fortuna para premiação das atletas na Copa do Mundo Feminina da França, o que são aproximadamente 30 milhões de dólares. Já as 32 seleções masculinas da Copa do Mundo da Rússia receberam 400 milhões de dólares, ou seja, cerca de 13 vezes mais.

Aqui fica meu convite: vamos prestigiar a nossa seleção. Temos uma medalha de bronze em 1999, uma de prata na Copa da China em 2007. Todas conquistadas com garra, muito esforço e pouco investimento. Vamos virar esse jogo de tamanha desigualdade e celebrar o futuro das nossas meninas e mulheres do esporte. Vamos torcer juntos!

#Pracegover #Pratodosverem na imagem temos cadeiras amarelas e verdes e logo abaixo, o artigo.

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