O surto de Covid-19 foi um grande chamariz para temas relacionados ao envelhecimento humano. O Coronavírus não piorou o envelhecimento, não acelerou o tempo, não mudou os fatos. Em vez disso, jogou luz sobre essa população, desnudando uma cultura etiológica prejudicial que permaneceu incontestada por muito tempo.

E essa exposição é uma coisa boa, pois está nos dando a oportunidade extraordinária de construir coisas novas ao nos mobilizarmos contra o preconceito de idade e mudar seu curso.

A cultura, a sociedade em que vivemos, nos bombardeia com mensagens negativas sobre o quão terrível é envelhecer. Que as pessoas mais velhas não têm valor.

Essa discriminação nos divide, nos enche de um medo terrível, nos custa dinheiro, e ainda prejudica nossas vidas pessoais e profissionais.

“Nossas atitudes em relação ao envelhecimento afetam a forma como nossas mentes e corpos funcionam em um nível celular – o envelhecimento nos deixa doentes e encurta vidas”, diz Ashton Applewhite, autora de This Chair Rocks: A Manifesto Against Ageism ainda não disponível em português.

Em seu livro, Applewhite recomenda adotarmos uma atitude de vida baseada em fatos ao invés de baseada no medo em relação ao envelhecimento. Entre eles está o fato de que você pode viver mais – de 7 ½ anos – se caminhar mais rápido. E que você vai se recuperar de doenças e lesões mais rápido também!

“Nossos medos sobre o envelhecimento são uma forma de se confusão com a realidade, e conhecer os fatos sobre o envelhecimento leva a uma abordagem mais feliz e saudável para a sociedade”, diz Applewhite.

Conhecer os fatos pode nos levar a uma auto percepção mais positiva, e por conta disso, idosos têm menos probabilidade de desenvolver a Doença de Alzheimer, mesmo quando tiverem predisposição genética.

Estudos comprovam que toda a preocupação e o medo irracional da perda de memória geram uma ansiedade debilitante, e isso nos torna mais vulneráveis exatamente ao que mais tememos, a demência. Ou seja, o medo é ruim para nossa saúde e ruim para nossas vidas.

“As pessoas são mais felizes no início e no fim de suas vidas. Mesmo com a idade nos privando das coisas como força física, amigos queridos e pele firme – ficamos mais contentes”, escreve Applewhite em seu manifesto. Se você desconhece essa afirmação, pesquise no Google sobre “A felicidade é uma curva em U” e descubra que os 40 anos são o ponto mais baixo dessa curva…

Agora pense você sobre suas próprias atitudes em relação à idade, ao envelhecimento e ao preconceito etário. De onde elas vêm? Já lhe ocorreu perguntar quem lucra com seu medo de envelhecer?

Eu penso que o envelhecimento não é um “problema” que necessita de conserto ou uma doença a ser curada. O envelhecimento é um processo natural, poderoso e duradouro que nos une a todos.

Pergunte a si mesmo por que envelhecer bem significa lutar diariamente para parecer e se mover como versões mais jovens de nós mesmos.

Infelizmente, nossa cultura capitalista segue obcecada pela juventude, segue sexista, misógina e sem dúvida, idealiza aqueles que parecem não envelhecer. Lembra-se daquelas campanhas publicitárias com pessoas mais velhas correndo maratonas ou pulando de aviões? Se eles inspiram você, fantástico! Mas não se esqueça que são outliers. Sempre digo que não existe vergonha se eu não quiser ou não puder pular de um avião, posso ser radical de diversas outras maneiras.

E você? Você tem uma boa definição de envelhecimento bem-sucedido? Alguns diriam: “Se você acordar de manhã, está envelhecendo com sucesso.”

Eu digo que envelhecimento bem-sucedido é ter o poder de fazer minhas escolhas todos dias. Sobre como eu quero viver e o que quero fazer com os anos que ainda tenho pela frente.

Aproveite agora e economize para a aposentadoria, cuide da sua saúde e faça mais amigos de todas as idades. Pense em algo que você quer fazer hoje ou amanhã, e encontre um grupo intergeracional para fazer isso. Ter amigos de todas as idades, te educa e te informa ajudando você, seus filhos, amigos, seus pais e toda a comunidade desconstruir o preconceito etário.

Lidar com o preconceito etário requer uma ação coletiva que envolve empresas, comunidades e todos nós. Mudar nossas atitudes é fundamental para melhorarmos a qualidade das nossas vidas mais longevas.

Autora: Graziela Gullo Daumichen

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